assim acabaremos

Um forte ruído de tempestade
anuncia a aproximação
das labaredas na estrada de terra
que corta uma das fazendas
do Pantanal matogrossense.
A ironia é reforçada
pela chuva de fagulhas e cinzas
que antecede a chegada das chamas
e tinge de laranja avermelhado
toda aquela paisagem.
O cenário é arrematado
por cantos de alerta de acauãs
e outras aves do Pantanal,
enquanto animais menos hábeis
ficam pelo caminho
para serem carbonizados.
Uma nuvem de fumaça se espalha
de acordo com o vento ou sua falta,
encobre a paisagem
com um manto amarelado
por um raio de mais de 80 kms,
entre Poconé e Barão de Melgaço.
Fica o cheiro de madeira queimada.
Terra de superlativos – 60%
dos 250.000 km2 do Pantanal
– área maior que o Reino Unido –
fica no Brasil, o resto é dividido
entre Bolívia e Paraguai.
O bioma é o mais preservado,
com 83% de cobertura nativa,
e apresenta a maior densidade
de espécies mamíferas do mundo,
concentração 09 vezes maior
que a da Amazônia,
de quem recebe parte das águas
que o inunda todos os anos.
É esse ambiente que queima
com força extrema e nunca vista. 

artigo: “Renato Russo e os restos da transição democrática”

Acaba de sair o livro NA LITERATURA, AS CANÇÕES, sobre compositores da música brasileira lidos e comentados desde uma perspectiva dos estudos literários. O livro faz parte de uma coleção e foi organizado pelo professor Roniere Menezes, do CEFET-MG, autor de um belo estudo sobre escritores modernistas e o Itamaraty.

Do livro, participo com um artigo sobre Renato Russo e a cultura de massas na transição democrática, intitulado: “Limiares da Geração Coca-Cola: Renato Russo e os restos da transição democrática”. Escrevi-o durante as eleições de 2018, conforme fica claro no início e fim do texto, mas isso não é apenas circunstancialidade, pois faz parte do próprio argumento. Minha ideia, que de resto é o que penso, foi relacionar a atualidade político-cultural à transição da ditadura para a democracia nos anos 1980, afirmando sua incompletude até nossos dias a partir de certos signos que tomo das canções de Russo, um tanto distantes de certa imagem idealizada da cultura pop daquela década.

O livro foi editado pela mineira O sexo da palavra, que permite tanto que o livro seja vendido impresso quanto que ele seja baixado gratuitamente.