POEMA

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I

Esclarecendo que o poema
é um duelo agudíssimo
quero eu dizer um dedo
agudíssimo claro
apontado ao coração do homem

falo
com uma agulha de sangue
a coser-me todo o corpo
à garganta

e a esta terra imóvel
onde já a minha sombra
é um traço de alarme

[Este é um dos poemas que me causam inveja profunda. Luiza Neto Jorge, na antologia recém-lançada no Brasil e organizada por Jorge Fernandes da Silveira, 19 recantos e outros poemas, Rio de Janeiro, 7 Letras, 2008. Muito bala!, diria meu filho.]

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