Oitavo livro de Sandro Ornellas, Isto não é uma carta (fragmentos para uma ficção crítica), editado pelo casa P55 Edição, pode ser lido como uma ficção crítica que, fragmentariamente, reúne impressões, devaneios, aforismas, delírios poéticos e reflexões brevíssimas, nem sempre publicados em redes sociais e blogues. O autor escreveu a maior parte deles ao longo dos últimos dez anos, sem qualquer projeto de livro e sob o signo da ruína e do empobrecimento cultural, político e ético que experimentamos nesse tempo. O caráter fragmentário dos textos também está de acordo com o contexto de um país que aos poucos foi se despedaçando, com as pessoas apenas reagindo à velocidade dos acontecimentos, sem tempo para elaborá-los.

O fio que tenta amarrar (consegue?) o livro são dezessete textos em que o autor se dirige a interlocutores anônimos com quem dialoga sobre o sentido de escrever. Ao possuir destinatários, esses dezessete textos simulam algo da ideia de uma carta, sem necessariamente serem cartas, o que ajuda a entender a incerteza pela qual o livro caminha desde o título. Isso vale para o livro, bem como para muitos textos, que foram escritos como um esforço para compreender, não explicar, o que se passava – coletiva e/ou individualmente –, sem recair nos discursos mais óbvios que circulavam e ainda circulam.

Em breve, a data de lançamento.

Posted in ,