Escrevi uma nova resenha crítica sobre o livro POESIA MUNDI: NOVOS POEMAS REUNIDOS, de Marco Lucchesi. Ela foi publicada no Jornal Rascunho, de março de 2026, e o início encontra-se transcrito abaixo.

Poesia mundi: novos poemas reunidos, de Marco Lucchesi, é sua mais recente reunião de poemas, publicados e inéditos, e perfaz um panorama robusto de seu lirismo. O poeta é também reconhecido como romancista, ensaísta, tradutor, memorialista, editor, professor, ex-presidente da Academia Brasileira de Letras, atual presidente da Fundação Biblioteca Nacional e participante ativo em diversas esferas públicas da nossa vida cultural. Apesar dessa atuação variada e que, em outros autores, poderia facilmente descambar para a superficialidade, Lucchesi demonstra nesse livro grande sensibilidade quanto aos poderes da poesia, conferindo-lhe frescor e uma voz lírica coerente ao longo dos quase 30 anos de publicações.
Poesia mundi reúne 16 livros, revistos, modificados e/ou com variantes. Isso reforça seu sentido de Obra em permanente estado de transformação, justificando nosso título, no qual há uma dupla referência: 1) à “alquimia do verbo”, de Rimbaud, e 2) ao livro de ensaios do próprio Lucchesi, Teatro alquímico, de 1999. Sua Poesia mundi possui algo da discreta ambição requerida para a transmutação do mundo pelas palavras, bem como algo de drama teatral nas referências, vozes e traduções nela presentes. Como se a alquimia da palavra a que chamamos “poesia” buscasse a transmutação não de um mundo específico, mas de todo o mundo, geográfica e historicamente abraçado como só uma viajante das línguas e culturas pode desejar.
Dos livros reunidos, três são inéditos, um é o conjunto de traduções e outro foi desentranhado de ensaios publicados.