QUEM SOU EU?

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Antre mim mesmo e mim
não sei que s’alevantou
que tão meu imigo sou.

Uns tempos com grand’engano
vivi eu mesmo comigo,
agora no mor perigo
se me descobre o mor dano.
Caro custa um desengano,
e pois m’este não matou,
quão caro que me custou!

De mim me sou feito alheio:
antr’o cuidado e cuidado
está um mal derramado,
que por mal grande me veio.
Nova dor, novo receio
foi este que me tomou:
assi me tem, assi estou.

[publicado no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende]

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