CONTEXTO: Paul Valéry (1871-1945) desanda a criticar a estilística (sem nomeá-la) quando ela quis (e conseguiu) instituir o ensino de poesia e da literatura através dos sofríveis estilos de época, em que trechos “exemplares” de livros e autores “exemplares” eram ensinados como “modelos” do melhor uso das figuras de linguagem mais em voga numa determinada época. A isso somava-se a indefectível introdução à “Vida e obra”. Qualquer semelhança com os excessos (sempre eles) da atualidade não é mera coincidência. Tirante alguns tiques típicos do autor e de seu período, como o “sentido próprio e verdadeiro da arte”, é um belo argumento sobre a inutilidade do ensino institucional da poesia (e talvez de toda a literatura), necessário apenas para interesses interditos: o “valor de Estado” da literatura como disciplina auxiliar da história de uma nação, com os escritores transformados em “heróis do povo”.
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[Paul Valéry. Questões de poesia. Variedades. SP: Iluminuras, 1991.]

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