Por indicaçao da amiga Maruzia Dultra, que disse amar o poema “Pedro brinca”, postado no blogue em 2008, mas nunca publicado em livro, resolvi relê-lo, mudar uns detalhes e republicá-lo aqui:
PEDRO BRINCA
Pedro chega topando em palavras
dizendo que quer porque quer
que eu o leve ao cais dos barquinhos
que vira aos três anos que tinha
e que quer porque quer
que eu brinque de carro como ontem brinquei
porque carro é dez! e aquele foi cem!
e que quer porque quer migalhas de pão
aos pombos jogar quando correm dos passos
no cais em que vamos ver barcos.
Pedro corre e cai e acaba tão sério
pois não corre o mundo
e quer porque quer o ainda impossível
e acaba com a cara fechada e sem riso
pois engasga e pára e de novo
depois outra vez e outra vez
que quer porque quer correr todo o mundo
seguro certo dono perfeito de si.
Pedro dorme e sonha com bolas e pedras
e bichos e fala e grita se mexe ao meu lado
que vejo tudo isso e na hora ele acorda
e quer porque quer sonar no seu sonho
mas sabe que a vida se pega é sem luvas
nas mãos pois teatro é real teatro é à vera
teatro é fatal e também é cruel é cruel é cruel.
Pedro brinca de roda com amigos
que giram com tudo quando cai uma amiga
e na praça ele pára a roda e fala
que assim não se brinca e não vale
e para e se zanga com os outros
se vira pra mim que só olho de longe
e me olha o que posso e não posso fazer
porque quer porque quer brincar a valer.