1
A vida e a morte de Bartleby são testemunhadas pelo seu ex-chefe. Bartleby se recusou a falar e a escrever. Ter eliminado cartas extraviadas o extraviou da escrita e da vida. Seu ex-chefe, no entanto, não se extraviou e por isso testemunha o que lhe escapa, o que lhe excede, que são Bartleby e os extraviados.
2
A expressão “fio do bigode” como compromisso com a palavra não escrita, logo com a falta de uma assinatura. Um testemunho escrito corresponde a um não escrito? O que escapa ao fio de bigode enquanto palavra empenhada? O corpo é empenhado no fio de bigode? O corpo excede ou é o que resta no fio de bigode? O corpo como resto é o testemunho do fio de bigode. O fio de bigode é um retrato testemunhal. Mas se o rosto retratado não tiver bigode? Se for um rosto de mulher? O que testemunha um rosto de mulher? Uma mulher testemunha sem palavras? Ou toda fala de mulher é um testemunho em potencial?
3
A testemunha fala a partir de um lugar de exceção sobre o excesso do que a ultrapassou, a aterrorizou, a traumatizou, sobre o que faltam palavras exatas para dizer, para enquadrar o que escapa e violenta a partir do fora de quadro, fora da cena do testemunho.