desinstalar a ansiedade

Nas últimas semanas, li dois livros para um curso que darei sobre Aceleração Social e Tristeza na Literatura Portuguesa e de repente fiquei com vontade de desinstalar meu Whatsapp. Ainda não me senti capaz de desativar a conta, mas mesmo assim quero compartilhar algumas impressões, meramente subjetivas, mas para mim reveladoras nessa desinstalação.
Trocando emails com minha irmã e com uma amiga, percebi que, quando as pessoas escrevem por email, a mensagem parece vagarosa e detalhada, mesmo que por celular (o que é péssimo, pelo corretor-errador). Mas a vontade de se comunicar com mais exatidão e cuidado (com o escrito e com o outro, o interlocutor) parece estar presente. Talvez pela formalidade que o email adquiriu. De qualquer modo, a comunicação via Whatsapp sempre me exaspera e, diante da paz que sinto com o email, deduzo que não só por serem frases entrecortadas, simulando por escrito uma oralidade ansiosa, mas principalmente por subentenderem solicitar resposta quase imediata.
Não sou capaz de ligar e desligar minha relação com o Whatsapp sem desintalá-lo. Tirei as notificações desde o início do uso, mas adquiri como que uma compulsão não só de ver se alguém me enviou alguma mensagem, mas de responder na hora – mesmo que seja apenas para dizer que responderei outra hora. Com o email, leio e não me sinto obrigado a responder imediatamente. Ao contrário, guardo e medito com calma a resposta para o dia seguinte ou para mais tarde, que seja. O que é ótimo e libertador. E acho dizer muito sobre as redes (de comunicação) sociais e os afetos agressivamente acelerados que ganharam o espaço público em todo o mundo.
Depois, acho que escreverei mais sobre isso. Talvez. Sem pressa.