O ano de 2024 começou muito bem para ISTO NÃO É UMA CARTA, que lancei em agosto de 2023. Recebeu boas críticas. A primeira, de Toni Araújo em seu perfil do Instagram, que foi no ponto ao descrever não só a estrutura fragmentada do livro e seus temas, mas percebeu nuances autorreflexivas. A segunda, de Décio Torres Cruz, no Jornal A TARDE, capturando o sentido mais amplo de um livro que julgo de certo modo difícil.
Quem escreve e publica nesta quadra do século sabe o quão difícil é receber comentários espontâneos e com intenção crítica aos livros que publica. É tudo o que um autor – que acredita haver vida autêntica e escreve sem fazer concessões ao mercado literário – deseja. Por isso, agradeço aos dois pelo tempo, dedicação e espontaneidade.
Ambos seguem abaixo:
Isto não é uma carta, de Sandro Ornellas, foi o último livro que li em 2023. É uma publicação da Editora P55 e faz parte da belíssima coleção Cartas Bahianas.
Tive a oportunidade de conhecer o autor recentemente, antes mesmo de começar a ler a obra. Bebemos umas cervejas juntos e conversamos sobre coisas diversas, numa mesa com gente boa e divertida.
Mas, ao que interessa. Sandro é um autor maduro e que, mais do que tudo, pensa sobre a existência com profundidade, coisa cada vez mais rara num país que se entrega com gosto às leviandades e ao disse-me-disse de redes sociais ávidas por likes.
No livro, ele discorre sobre assuntos variados em tópicos curtos, porém se valendo de tal gravidade que torna difícil a não reflexão a respeito da vida que levamos, sobre o que aceitamos como verdade e o que fazemos com a nossa valiosa liberdade.
Religião, morte, moral, estética, sociedade, poder, instituições, conservadorismo, política e políticos, Brasil, tudo isso e muito mais é analisado de forma direta, cortante e dura, sem maniqueísmos infantis, sem levantar bandeiras ideológicas e sem se deixar levar por dogmatismos.
Só que a cereja do bolo, aquilo que dá liga à obra e a torna imperdível, são as reflexões do autor sobre as palavras e a escrita. São pequenas pérolas que todo escritor deveria ler para entender um pouco mais sobre esse ofício belo e maldito. Repito, imperdível, essa é a palavra.
Pena eu não ser bom em escrever críticas literárias. Esse livro de Sandro Ornellas – ótimo para ser livro de cabeceira – merece muito mais.
