No dia 17 de agosto de 2025 foi publicado no Blog MADAME K uma entrevista que eu e Maruzia Dultra demos para a jornalista e escritora Katia Borges por ocasião do lançamento de nosso livro LIMIAR_ u m f o t o l i v r o p o e m a. Abaixo, um trecho dela e depois o link para ela inteira:
MK – O que vocês sentem que só a combinação de vocês dois poderia gerar? Houve algum momento em que a parceria obrigou um a “desaprender” algo para se abrir para o olhar do outro?
SO: Sinto que nossa combinação pode gerar algo como esse livro, por exemplo. Ele me parece um perfeito exemplar dela: imagem + palavra, palavrimagem. Sinto isso porque Maruzia tem uma experiência com a imagem que o tempo todo me provoca quanto ao meu lugar e minha experiência cristalizados com a palavra, e que sozinho não consigo avançar para tão longe. Por isso, me vejo nessa parceria “descristalizando” a relação entre palavra e imagem. Acho que ainda não cheguei a nenhum ponto justo, mas continuo tentando, por causa dessa combinação provocativa com Maruzia. Por outro lado, acho que aprendi o quanto o processo de edição de um vídeo se assemelha à construção de um poema, ou mesmo de um verso: a edição quadro a quadro é muito parecida com o que busco fazer verso a verso, palavra a palavra, só que de um modo ainda mais concreto. A palavra sofre do mal da transcendência, de um “ouvir-se dizer interiormente” como se fosse a nossa consciência, o que a imagem não possui, pois é mais exterior, para fora, mundana mesmo. Já tinha percebido essa relação entre edição de vídeo e composição do verso trabalhando com outro parceiro, Arthur Caria, músico e videoartista.
MD: Como mencionei anteriormente, há “algo específico desse encontro”, que brota de nossa combinação: uma atuação poética com bases conceituais e reflexivas, o que Sandro chama de poesia de pensamento. Vale para nós também o movimento reverso: um pensamento com poesia e um pensamento sobre poesia. Estas últimas atividades são desempenhadas por ele com rigor singular, enquanto pensador e crítico literário que é. De minha parte, me vi com a necessidade de “desaprender” o estudo crítico voltado apenas para minha própria poíesis, ampliando-o para outros processos de criação que não o meu. Um exercício de descentramento mesmo, custoso quase sempre para quem desenvolve pesquisa artística. Outra “desaprendizagem” provocada por Sandro nos meus processos criativos foi, em lugar da convulsão do improviso, acionar a compulsão do esmero, pois minha postura sempre foi a de supervalorizar a espontaneidade do “primeiro take” — meu modus operandi na arte, que é também meu modus vivendi.
Continue lendo-a aqui.