acuso

O Brasil é um grande Museu Nacional em eterno rescaldo das chamas. E acuso como culpados diretos quem administra esse país desde 1985.Resultado de imagem para latuff museu nacional

Acuso José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer.

Mas também acuso antecipadamente qualquer um dos candidatos à presidência em 2018. E todos os que os apoiam e fazem campanha para eles.

Acuso também governadores e prefeitos. Acuso nossas câmaras legislativas repletas de ordinários bandidos de colarinho branco. Acuso secretários e quem defenda o Estado de direito do país como dispositivo de imobilização geral das instituições.

Acuso os partidos políticos que tomam de assalto a cada dois anos o Estado brasileiro, verdadeiras gangues à serviço da grana suja.

Acuso ainda as Forças Armadas, por sua ideologia assassina e patriotada sanguinolenta que confunde nação com pelotão e cidadania com soldadesca rasa. Soldadinhos de chumbo travestidos com as fardas do inferno.

Acuso os juízes e sua soberana indiferença e aplicação ilegítima da lei. E acuso a lei por existir, reprimir e ser uma atualização secularizada de qualquer lei moral de um deus assassinado há mais de século, mas que teima em procriar.

Acuso a imprensa, por manter o jogo sendo jogado sempre com as mesmas invisíveis regras, por um denuncismo hipócrita e um reformismo pequeno-burguês que só faz enxugar nosso gelo cotidiano.

Acuso a iniciativa privada de falta de iniciativa além das fezes que faz na privada que fede enquanto mama num Estado corrompido e falido e contribui para manter a inanição desta ex-nação.

Acuso o serviço público por greves inócuas há décadas e que dizem respeito apenas ao próprio bolso, mas nunca por verdadeiras condições de um trabalho público digno do nome, e tudo movido sindicatos pútridos, por interesses pútridos e que acreditam que a ontologia do ser humano encontra-se no trabalho pútrido de que tanto se vangloriam e tanto se envaidecem em paralisar sem reais resultados.

Acuso os economistas servos do capital internacional e os economistas servos de um Estado-Pai. Verdadeiros astrólogos que nunca acertam previsões que não digam respeito única e exclusivamente ao seu próprio rabo especulativo.

Acuso os cientistas sociais e suas políticas públicas sempre mancomunadas aos partidos políticos e aos movimentos sociais que comandam como verdadeiros coronéis nanicos.

Acuso intelectuais técnicos, com suas burocráticas análises, suas estatísticas e mentiras, responsáveis por travar soluções rápidas e eficientes.

Acuso os intelectuais orgânicos, com seu messianismo de algibeira, teólogos políticos de um moralismo sempre reacionário.

Acuso os artistas que acham que arte é trabalho e vendem sua arte para o mercado consumi-la consumindo-os e consumindo quem a consome numa consumição ampla, geral e irrestrita de toda a nossa energia vital.

Acuso todos que têm um “projeto de Brasil” e reverberam soluções do arco da velha.

Acuso os cínicos, os grupelhos, os críticos, os parciais, os assessores, os líderes, os revolucionários, os conservadores, os esperançosos, os proponentes, os seguidores, os crentes, as facções, os guerreiros, os idólatras, os gritadores, os que batem no peito, os brigões, os provocadores, os fanfarrões, os fujões do país.

São os grandes – não os únicos, não sozinhos – mas os grandes, principais culpados pelo eterno rescaldo em que o Brasil vive.