anti-anti-intelectualismos

Andei lendo por aí que vivemos em tempos anti-intelectualistas. Não acho. Sempre estiveram por aí. Só mudamos de anti-intelectualista preferido. Há os anti-intelectualismos de direita e os de esquerda, que anti-intelectualmente eu definiria como “contemporâneos” e “modernos” – como gosta de diferenciar um certo historicismo hegeliano e jornalístico, naturalizado como “contemporaneidade”.

Não foi Olavo de Carvalho quem inventou o anti-intelectualismo, óbvio, mas foi ele quem o fez voltar ao espaço público. Por isso, aproveito e o homenageio na lista abaixo, com alguns pequenos diálogos que podem ser aplicadas aos novos (e também não tão novos) tempos em sala de aula ou corredores eletrônicos:

1)

– É chato e muito complicado?

– É complicado mesmo, mas a Escola Terraplanista Olavo de Carvalho te explica descomplicando, e você não precisará mais ralar sobre nenhum livro que nós discutimos. Basta repetir o mestre (ou outro Aiatolavo de plantão dentro ou fora das universidades) e terá sempre razão.

2)

– Tudo isso me cheira a elitismo intelectual.

– No curso da Escola Terraplanista e Ambidestra Olavo de Carvalho, você aprende a verdade sobre os tradicionais valores anti-intelectualistas do povo.

3)

– O discurso acadêmico é hermético.

– Saia da universidade e vá para a Escola Terraplanista de Xingamentos Ambidestros Olavo de Carvalho. Em breve, entrará em algum partido (qualquer um!) e fará carreira.

4)

– Para que serve isso no meu dia a dia?

– Para nada! Quer aprender algo útil? Vá para a Escola Terraplanista de Crítica Ambidestra Olavo de Carvalho.

5)

– Você só trata de autores canônicos!

– Na Escola Terraplanista de Autores Censurados pelo Marxismo Cultural e Marginais ao Ocidentalismo Malvadão Olavo de Carvalho, você encontrará o “fora do cânone” para seu McConsumo Crítico Feliz.

6)

– Você deve falar diretamente para o povo.

– Quer falar “direto para o povo”? Vá para a Escola Terraplanista Olavo de Carvalho, aquela que te ensina como votar e nunca perder a eleição, fazendo parte pragmaticamente da “maioria democrática”, ofendendo os perdedores.