sonhos

1. Sonhei que eu era um assassino com refinado senso estético que decidiu unir seu trabalho ao “arte pela arte”, organizando a explosão – com minúcia flaubertiana, método valéryano e rigor cabralino – do Congresso Nacional, onde estariam reunidos todos os ex-presidentes do Brasil. Descrevia o estado da arte dessa decisão no livro: “Do assassinato de políticos como uma das belas-artes”

2. Sonhei que eu era professor de literatura e, diante do esgotamento de falar para quase ninguém durante horas infindáveis, decidi escrever um livro de poemas intitulado “Ociosidades do corpo”. Mas dentro desse mesmo sonho, não mais que de repente, sonhei (um sonho dentro de um sonho, um “mise en abyme” de filmes de Godard) que eu era um poeta e escrevia um artigo acadêmico (artigo dentro de um sonho dentro de outro sonho sobre o qual aqui escrevo) intitulado “Trabalhos do ócio”. Acordei atrasado para o ônibus.

3. Sonhei que eu era um programador maldito, apaixonado por mulheres virtuais e que fumava crack em cachimbo de madeira envernizada, enquanto publicava na timeline do zuckerberg poemas do meu livro:”Os flops do mal”

4. Sonhei que eu era italiano sobrevivente do Campo de Concentração de Auschwirtualis e que escrevia um livro com meu testemunho chamado:”É isto um estrume?”

5. Sonhei que Jorge Luís Borges escrevia um conto a respeito duma enciclopédia com um verbete sobre enigmático país chamado Uqba. O verbete é a primeira indicação sobre a Finis Orbis, uma conspiração de anti-intelectuais para acabar (e possivelmente criar) um mundo: TLet. O nome do conto? “TLet, Uqba, Finis Orbis”.

6. Sonhei que Mark Zuckerberg era um heterônimo de Fernando Pessoa que criou uma rede social na qual outros heterônimos publicavam manifestos, poemas e odes/ódios que depois iriam para um livro inédito chamado “O adestrador de rebanhos”