democracia de mercado

No Brasil, a recente politização da população decorre de a política oficial ter se mercantilizado a ponto dos candidatos se estruturarem como “mitos” e “ideias”. Numa sociedade do espetáculo midiático-financeiro, mitos e ideias são artistas e números, respectivamente, sobretudo quando o espaço público é controlado pelo FANG (Facebook, Amazon, Netflix, Google). E estética e números, em política, são fundamentos proto-totalitários da glória dos povos e seus governantes (cf. Benjamin, Debord, Agamben). Ou seja, as instituições democráticas foram encampadas pelo mercado de modo definitivo. Daí que a antipolítica não está mais na recusa ou oposição à esfera política. Quando esta está dominada pela esfera do mercado, antipolítica é endossar o jogo partidário – que só mantém o que está aí dentro de um reformismo que nada muda. A esfera política mais dura e mais poderosa encontra-se agora, mais do que nunca, fora do palco. E das telas.

P.S. [12/11/2018]: Acho que depois de ler o que tenho pontuado por aqui, um amigo que enviou um artigo sobre Pier Paolo Pasolini intitulado “Brasil. Pasolini e fascismo” e que lembra como para o poeta o fascismo no pós-guerra se insinuava no cotidiano das pessoas justamente pelo consumo. Ele morreu por isso.