mate um político por dia!

Sintomático a ascensão da esquerda ao poder em 2003 ter trocado muitas máscaras de lugar, a ponto de quando veio a hora de afirmar sua posição original, elas não quererem mais ficar no rosto, caindo no chão. Quem afinal representa a institucionalidade política? Quem representa uma mudança real que nunca veio? Tudo muito confuso (ou não) para quem tem menos de 40 anos. Resta apenas a evidência de que os tempos se tornaram mesmo reativos e que o diagnóstico de Giorgio Agamben de a democracia ter como núcleo oculto um estado de exceção não começou no Brasil anteontem, mas nos governa desde a redemocratização. As instituições partidárias e os poderes da república nos governam soberanamente – eles, imperadores; nós, vassalos – para na verdade nos impedir de conquistar um grão de liberdade. Hoje, preza-se mais a palavra “democracia” do que “liberdade”.

Daí que amigos compuseram e gravaram uma música movida ao mais secreto desejo de uma população pacata, e me pediram para escrever algo que impedisse de ser mal interpretado, em tempos de censuras à direita e à esquerda em nome de autoverdades de gosto duvidoso. O vídeo foi censurado naquela rede social ‘fake’, por denúncia, mas aqui vai de novo, com meu texto de abertura.