niilismo

As convenções e os consensos ruíram. Essa é talvez a grande boa nova do século XXI. Desde os falsos consensos cotidianos, e por isso mais difíceis de derrubar, até verdades científicas que ganham o selo de fato universal. Como exemplo do primeiro caso, a descrença generalizada da população no noticiário político: nada mais saudável em regimes dominados por máfias partidárias em conluio com imprensa, empresas e organizações civis variadas. Como exemplo do segundo caso, as bizarrices que são as crenças terraplanista e antivacina. Esta última, na verdade, pode ser considerada uma má notícia, mas o principal é que os sujeitos se rebelaram por completo e já não acreditam em qualquer narrativa que se lhes conte, mesmo que seja a da viagem à lua e da esfericidade da Terra. Parece que finalmente conseguiu-se instilar um profundo niilismo no coração dos homens modernos. Independente das más notícias localizadas, essa é uma notícia a se festejar. Que os sujeitos desconfiem de tudo e de todos para buscar o inquestionável é o grande sonho inaugural da modernidade. Empirismo e experiência pessoal seriam as únicas fontes de validação da vida humana, principalmente em uma época de avassaladora fabricação de discursividades – 7 dias por semana, 24 horas por dia. É a ambicionada autonomia do sujeito humano. Ninguém falou que autonomia de pensamento seria sinônimo de libertação, só de autonomia de escolhas no mercado de narrativas que querem manipular o destino pessoal e coletivo. Escolhamos nosso amo e senhor.